Correr no dia-a-dia me dá a impressão de que tudo está certo. Talvez apenas não tenha tempo de cogitar a possibilidade de alguma coisa estar fora do lugar. O problema é que é quando se está sobre a ponte que ela resolve cair. A dor vem com um bucado de adrenalina que te faz pensar que a mudança pode ser pra melhor, mas então aparece o teu espírito tradicionalista e te faz pensar tudo o que já se passou e que tudo isso e mais um pouco que você no momento não é capaz de lembrar está caindo junto contigo nesse abismo em meio a dor misturada com um bucado de adrenalina!
Eu queria poder não me envolver, ser como uma estátua, presente, que alegra, que embeleza, mas não sente o sol roubando o brilho do verniz, ou a chuva que cai torrencialmente, ou ainda o vento que sopra onde quer. Eu queria ser uma estátua, que fica no meio das pessoas, mas pouco importa qual o sentimento que elas têm muito menos se elas querem se relacionar comigo! Mas eu não sou uma estátua, fui um espantalho transpassado por uma flecha que agora foi removida e deixou um buraco imenso, permitindo que minhas entranhas se espalhem e meu corpo torna-se meros fragmentos.
Talvez nada esteja fora do lugar, ou eu esteja sendo frio comigo mesmo. A maior dor não é daquilo que se vai, mas daquilo que fica impedindo-me de viver minha vida normal! Vou voltar a correr, assim talvez o cansaço que minhas pernas sentem, ou o ar que não chega ao meu cérebro, me faça esquecer ou ainda, me faça pensar que tudo está certo! Simplesmente não sei! Que venha mais uma noite para que o dia me faça ver tudo sob a luz de um brilhante sol de inverno.


